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Desvendando 2017: Uma Retrospectiva

2017 foi um ano frenético. Houve muitos terremotos, tanto naturais quanto políticos. Tempestades devastaram as Américas e uma avalanche de novas denúncias balançou Brasília. Muitas das decisões do novo presidente americano, Donald Trump, sacudiram Washington e a comunidade internacional. A extrema-direita ameaçou submergir a Europa como um tsunami. Por outro lado, a economia voltou a pulsar e a Lava Jato se desdobrou.

Foram notícias muitas vezes desconfortáveis, que fizeram com que repensássemos muitos assuntos. Na véspera de 2018, um ano que será de grande importância para o futuro do nosso país, proponho dar um passo para trás e analisar todas as grandes reviravoltas que fizeram de 2017 um ano de muitas emoções.

Janeiro

O ano já começou agitado. No começo de janeiro, aconteceram rebeliões em presídios de pelo menos três estados brasileiros: Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. As rebeliões foram resultado de conflitos entre facções do tráfico de drogas. No dia 19 de janeiro, um acidente aéreo em Paraty fez Brasília e o país estremecer: o ministro do STF, Teori Zavascki, estava entre as vítimas. Zavascki estava próximo de homologar as delações de 77 ex-funcionários da Odebrecht. O STF então definiu Edson Fachin como o novo relator da Lava Jato.

Janeiro também foi o mês da posse de Trump como presidente dos EUA. Logo após assumir o cargo, Trump assinou diversos decretos polêmicos, como o “travel ban” (proibição da entrada de cidadãos de diversos países de maioria muçulmana) e a saída dos EUA do Acordo de Parceria Transpacífico (TPP). Teve também a Women’s March (Marcha das Mulheres), protestos que movimentaram os EUA, contra Trump e em favor dos direitos das mulheres.

Fevereiro

Após a escolha de Fachin para a relatoria da Lava Jato, Temer nomeou o substituto de Teori Zavascki, Alexandre de Moraes. A escolha foi controversa pois Moraes sempre frequentou circuitos políticos e já foi vinculado ao DEM, PMDB e PSDB, além de fazer parte do governo. Em fevereiro, o Senado aprovou a reforma do ensino médio. A principal mudança foi uma maior flexibilidade no currículo escolar, ou seja, 60% da grade será composta por matérias obrigatórias e 40% serão eletivas

Março

Março foi marcado pela “Operação Carne Fraca”. A Polícia Federal deflagrou o envolvimento de fiscais do Ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento em um esquema de propina. Frigoríficos foram acusados de subornar fiscais para que eles não denunciassem a venda de carne estragada. Esse esquema envolvia duas das maiores empresas do setor, como a BRF Brasil e a JBS.

No dia 22 de março, houve um atentado terrorista no parlamento britânico, onde um homem atropelou diversos pedestres e logo depois atacou agentes de segurança com uma faca. Cinco pessoas morreram e 40 ficaram feriadas. O atacante foi identificado como Khalid Masood, cidadão britânico de origem nigeriana. No dia 29 de março, Londres iniciou o processo de saída da União Europeia, nove meses após o referendo do “BREXIT”.

Março também foi intenso para a politica nacional.  O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de 83 inquéritos contra políticos delatados pelos funcionários da Odebrecht através da Lava Jato. Dentre os nomes revelados pela imprensa, estavam seis ministros do governo Temer, dois prefeitos, cinco governadores, seis deputados, dez senadores, dois ex-presidentes da República e diversos líderes de partidos.

Abril

No Brasil, abril foi o mês da aprovação da reforma trabalhista na Câmara e da greve geral. No dia 27 de abril, a Câmara dos Deputados votou em favor da reforma trabalhista. No dia seguinte, houve uma paralização que tomou proporções jamais vistas em todo o território nacional. O ato foi contra as reformas trabalhista e da Previdência.

Também houve um ataque com armas químicas na Síria que chocou o mundo. A Organização de Prevenção a Armas Químicas (OPCW) relatou que o gás sarin foi usado num ataque na cidade de Khan Sheikhun na Síria. Os Estados Unidos retaliaram lançando um míssil contra uma base aérea na Síria, que o governo americano disse ter sido usada para efetuar o ataque. A Rússia e os aliados de Assad negaram o uso de armas químicas na cidade.

Maio

Em maio, a república balançou com a delação bombástica da JBS. Joesley Batista, dono da JBS, gravou o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e deputado cassado. Posteriormente, o deputado Rodrigo Rocha Loures, apontado por Temer para resolver assuntos pertinentes a J&F (holding que controla a JBS), foi filmado carregando uma mala com R$500 mil, enviados por Joesley Batista.

O senador Aécio Neves foi gravado ao negociar um empréstimo de R$ 2 milhões de Joesley. O dinheiro supostamente seria usado para pagar seus advogados. A revelação das gravações gerou alta tensão em Brasília e rumores de que Temer renunciaria começaram a circular. No dia seguinte, Aécio foi afastado do cargo de senador e Rocha Loures do cargo de deputado. Temer manteve-se na presidência.

Em maio também aconteceram as eleições presidências francesas. O centrista Emmanuel Macron derrotou Marine Le Pen do Front Nacional (FN), o notório partido xenófobo de extrema-direita. O resultado foi comemorado pela comunidade internacional, que temia uma vitória de Le Pen. No dia 23 de maio, houve um atentado terrorista no show da cantora americana Ariana Grande em Manchester, onde 22 pessoas morreram e 59 ficaram feridas.

Junho

No dia 16 de junho, Trump anunciou o cancelamento do acordo de aproximação com Cuba. Ele impôs restrições a viagens de americanos ao país e a negociações com empresas cubanas, além de manter as sanções econômicas. Na Inglaterra, a primeira ministra Theresa May, do partido conservador, convocou antecipadamente as eleições parlamentares. O objetivo de May era ampliar a sua maioria no parlamento para conseguir mais legitimidade durante as negociações do BREXIT. Não deu certo e ela acabou perdendo a maioria. Também houve outro ataque terrorista na London Bridge, que deixou 7 mortos e 48 feridos. No Brasil, o TSE absolveu a chapa Dilma-Temer das acusações de crime eleitoral em 2014.

Julho

No dia 12 de julho, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá. Ele foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro. Em julho também aconteceu o encontro do G20, grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo e a União Europeia. A reunião desse ano foi notável pois marcou o primeiro encontro entre Donald Trump e o presidente russo Vladmir Putin, que durou cerca de duas horas. Em meio a tensões políticas no Brasil, Temer fez uma rápida passagem pelo evento, sem participar de nenhum encontro bilateral.

Agosto

Já no começo do mês, a Câmara votou em favor do arquivamento da denúncia contra Temer, por corrupção passiva, pela Procuradoria Geral da República. A cidade de Charlottesville, nos EUA, virou manchete internacional no dia 11 de agosto, quando centenas de supremacistas brancos protestaram, carregando tochas e fazendo saudações nazistas. Uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas. O presidente Trump foi criticado pela sua postura em relação aos supremacistas.

 Setembro

O juiz Waldemar Cláudio de Coelho Carvalho concedeu uma liminar que abre brecha para psicólogos oferecerem polêmicas terapias de reversão sexual, popularmente conhecidas como “Cura Gay”. A decisão causou indignação no país inteiro. Setembro também trouxe tensões entre os EUA e a Coréia do Norte. Em seu primeiro discurso na ONU, Trump disse que se os EUA fossem ameaçados, ele iria “destruir completamente a Coréia do Norte”. A declaração polêmica veio em meio ao aumento de tensões entre os dois países, devido ao programa nuclear da Coréia do Norte. O ditador norte coreano Kim Jong Um disse que o discurso do Trump foi uma “declaração de guerra”.

Na Alemanha, Angela Merkel foi reeleita chanceler da Alemanha pelos próximos 4 anos. Porém, pela primeira vez desde a segunda guerra mundial, um partido ultraconservador ganhou espaço no parlamento alemão. No Brasil, após o arquivamento da primeira denúncia em agosto, Temer foi acusado novamente de arrecadar propina, obstruir a justiça e liderar uma organização criminosa em setembro. Setembro também marcou uma temporada de furacões devastadores, como Harvey, Irma, José, que passaram pelos EUA e pelo Caribe.

Outubro

Outubro foi marcado pela crise na Catalunha. No dia primeiro, houve um referendo onde 90% votou a favor da independência da região. No dia 27, o voto do parlamento catalão também seguiu a mesma linha. No dia seguinte, o presidente da Espanha, Mariano Rajoy, suspendeu a autonomia da região. Já no Brasil, a segunda denuncia contra Temer foi suspensa pela Câmara. Finalmente, em outubro também foi sediada a importante reunião do Partido Comunista da China, onde o presidente Xi Jinping foi elevado ao mesmo status de Mao Zedong.

 Novembro

A revelação dos “Paradise Papers” marcou os noticiários de novembro. Dados vazados expuseram 177 políticos e líderes mundiais, incluindo a Rainha da Inglaterra, que têm dinheiro guardado em paraísos fiscais, áreas de baixa tributação e juros baixo. Esse foi o segundo maior vazamento de dados de empresas offshore. Em junho, Trump anunciou a saída dos EUA do acordo climática de Paris. A 23o Conferência do Clima aconteceu em novembro, enfrentando os desafios que vieram com a saída da maior economia do mundo. O Brasil se ofereceu para sediar a conferencia em 2019. No dia 11 de novembro, a reforma trabalhista entrou em vigor.

Dezembro

Causando grande controvérsia internacional, Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e anunciou que a embaixada americana será instalada na cidade, o que levará dois anos para acontecer. Por ampla maioria, a Assembleia Geral da ONU condenou a decisão do presidente americano. Por aqui, Temer concedeu indulto de Natal a presos, assim facilitando o perdão total da pena a condenados por crimes cometidos sem violência, como corrupção e lavagem de dinheiro. A presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia, suspendeu trechos do decreto do presidente. Dezembro também foi o mês do “Natal da Retomada”, e os primeiros indicadores de venda já mostram uma boa recuperação do varejo de fim de ano. Esse aumento pode ser atribuído à melhora no clima econômico, a queda dos juros e da inflação e a interrupção no aumento do desemprego.

2017… 2018

É indiscutível que 2017 foi um ano difícil. Mas cabe a cada um de nós fazer uma simples escolha: olhar as coisas através da perspectiva do “copo cheio” ou a do “copo vazio”.  Podemos ver cada denúncia com indignação ou desesperança, ou podemos pensar que estamos um passo mais perto de limpar o nosso sistema político. O caminho para o progresso não é linear, ainda vamos dar muitos passos para trás antes de dar aquele longo passo para frente.

O mais importante é não desanimar, não deixar o espirito voluntarista que já está gerando mudanças morrer. Esperar que 2018 vá resolver todos os nossos problemas é ingênuo, mas o que temos que fazer é nos informar, nos engajar e garantir a que a nossa voz seja ouvida. Afinal, os políticos que estão em Brasília nos representam como sociedade. Um feliz e próspero ano novo para todos, e que 2018 traga muitos assuntos positivos para discutirmos aqui no Desvendando Política!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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