Loading...

Desvendando a V BrazUSC

A BRASA, associação referência para estudantes brasileiros no exterior, realizou a quinta edição da BrazUSC, nesse último final de semana, 27 e 28 de Outubro. A conferência aconteceu na Universidade de Georgetown em Washington, DC e contou com palestras de líderes de setores chaves no Brasil como empreendedorismo, educação, política e economia.

Nessa última edição, o tema da conferência foi “Desafie o Hoje e Construa o Amanhã”. O jovem foi colocado no centro do debate, como o agente de transformação para solucionar os principais problemas do Brasil.

Durante dois dias de palestras, mais de 300 universitários ouviram as experiências de grandes líderes como Claudia Sender (CEO da LATAM Brasil), Rodrigo Janot (ex Procurador da República) e Joaquim Levy (ex Ministro da Fazenda). As palestras fomentaram grande discussão sobre o papel do jovem no Brasil, bem como os desafios e oportunidades que o país apresenta para aqueles que estão começando agora.

Um dos grandes destaques da conferência foi o painel de setor privado, que contou com a participação de Sender e de Alexandre Hohagen (ex VP do Facebook América Latina). Hohagen falou sobre o empreendedorismo no Brasil. “Trabalhei muitos anos em grandes empresas, mas fui picado pela mosquinha do empreendedorismo. Minha visão desse movimento é extremamente positiva e otimista. Uma forma muito interessante de trazer os jovens para o mercado de trabalho”.

Apesar do seu otimismo, Hohagen também falou sobre os desafios enfrentados pelos empreendedores brasileiros. “Infelizmente não temos um sistema de educação que estimule o empreendedorismo. Acho que isso está mudando, mas é um desafio que o jovem vai enfrentar. Apesar do Brasil ser um país de dimensões intercontinentais, os empreendedores brasileiros às vezes olham só para o mercado brasileiro” disse Hohagen.

Claudia Sender falou sobre a importância do jovem nesse momento de grande transformação que o Brasil enfrenta. “Não falta dificuldade, mas também não falta oportunidade. O Brasil é um país desesperado por uma grande transformação. Acima de tudo, o Brasil é nosso. Minha família veio como imigrante, sem nada, e se hoje eu estou aonde estou é por causa de todas as oportunidades que o país me deu. Todos vocês vão voltar para o Brasil com uma cabeça diferente e tomara que vocês voltem para transformar e trazer um maior equilíbrio à sociedade brasileira” disse Sender.

Marcelo Flora, Sócio-Diretor do Banco BTG Pactual, aconselhou os jovens a terem mais paciência. “Os milennials volta e meia são criticados por conta dessa impaciência. Eu acredito que esse seja o principal desafio da geração de vocês. As coisas acontecem, como tudo na vida temos que buscar o equilíbrio” recomendou Flora.

Outra palestrante que chamou bastante a atenção dos jovens foi Hilaine Yaccoub, antropóloga que morou na favela para descobrir porquê as pessoas fazem “gato”, maneira ilegal de conseguir energia ou sinal de TV à cabo. Segundo Hilaine, a questão não é nem financeira, nem exemplo do tão discutido ‘jeitinho brasileiro’, mas sim o reflexo de uma verdadeira economia de compartilhamento. “A moeda de troca na favela é a relação entre as pessoas. A reciprocidade está na esfera íntima. O coletivo sempre se sobrepõe ao indivíduo. Tudo é emprestável. Uber e Airbnb não são exemplos verdadeiros de economia de compartilhamento, porque existe um interesse econômico. Na favela, o interesse é social” explicou Yaccoub.

A educação também foi um assunto amplamente discutido por diversos palestrantes. Patrícia Ellen, Sócia da McKinsey, disse que apesar de um maior investimento, os alunos não estão aprendendo. “O protagonismo do professor é fundamental. Um aluno que tem um professor bem preparado tem um desempenho muito melhor. Além disso, o aluno motivado de uma região pobre tem um desempenho melhor que um aluno desmotivado de uma região rica” , expôs Patrícia.

Janaina Lima, Vereadora de São Paulo pelo Partido Novo, pediu aos jovens presentes que não desistam do Brasil. “O país que tiver a capacidade de colocar as suas crianças no maior índice de educação, esse país dominará o mundo. Eu queria lançar esse desafio. A educação é o único mecanismo de real mudança. Precisamos repensar o modelo Brasil e cada um precisa se sentir responsável por essa mudança e saber como realizá-la” disse Lima.

O protagonismo do jovem também foi discutido por Joaquim Levy, ex Ministro da Fazenda e atual CFO do Banco Mundial. Segundo Levy, o jovem deve focar na organização do Estado e exigir transparência, segurança e oportunidades. “Cada geração tem a responsabilidade de ter princípios e clareza no que quer e no que está disposta a fazer. Esse é o desafio. Não podemos achar que a política vai se resolver sozinha. Na questão de transparência e honestidade, temos que assumir e ser muito rigorosos com isso. Quando não se tem um certo nível de confiança nas instituições, não se tem eficiência. A gente pode estar confiante no momento, mas não podemos ser complacentes. Não é fácil, mas é um desafio que vale a pena” explicou Levy.

No painel de mídia, discutiu-se como a internet está transformando a indústria da comunicação e como isso afetará aqueles que estão por entrar no mercado de trabalho. Segundo Sandra Coutinho, Correspondente Internacional da Globo em Nova Iorque, a internet exige que o jornalista hoje seja muito mais completo. “A tecnologia está ficando mais barata, mais rápida e acessível. É muito fácil trazer o imediatismo da internet para a televisão. O grande desafio é pegar a qualidade da TV e levá-la para a internet. Como manter a mesma qualidade em três plataformas diferentes? O diálogo hoje é cada vez maior” disse Coutinho.

Rodrigo Janot encerrou a conferência com uma palestra sobre política. Ele se dirigiu aos jovens com a seguinte frase: “existem mais que desistem do que fracassam”. Segundo Janot, todos os desafios que viemos enfrentando valeram a pena, pois muito já mudou no Brasil. “O primeiro grande desafio é estabelecer um diálogo institucional entre os diversos órgãos de controle. Conseguimos criar esse relacionamento e passamos a trabalhar de forma coordenada e ajustada. A primeira coisa que tivemos que fazer foi investir pesado em tecnologia e informação” explicou Janot.

Entretanto, ele advertiu que como sociedade, precisamos ficar atentos a um grande paradoxo. “Será que a evolução se deveu ao fortalecimento de suas instituições ou uma conjunção de fatores permitiram que pessoas certas estavam num lugar certo? Essa é a pergunta que todos nós temos que enfrentar” provocou Janot.

Link para assistir a palestra completa do Janot: https://www.facebook.com/gobrasa/videos/1243402055805415/

VOCÊ TAMBÉM PODE CURTIR OS SEGUINTES POSTS

1 comentário

  • Gostei muito dos painéis que propõem discussões fundamentais para entender melhor o mundo em que vivemos e conhecer com profundidade as várias modificações que se devem operar de modo a favorecer mudanças que o país tem de enfrentar. Vejo que se abre uma oportunidade ímpar para criar políticos que entendam realmente o que é a política, aprendam como fazer política e para que fazer política. Penso que esta éa única saída para as transformações por que o país tem de passar de modo a sobreviver. Atualmente parece-nos que isto aqui é terra sem lei. Anima-me esta iniciativa de formação. Gostaria de colaborar na área da Educação.Aliás, a proposta está totalmente envolvida com a Educação. Educação de novas gerações que se apropriem dos conhecimentos necessários e indispensáveis para fazer uma reforma política que leve a mudanças estruturais com vistas a atender com justiça e competência as necessidades do país e de sua população.

Deixe um Comentário