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Desvendando as Eleições Latino-Americanas de 2018

2018 não será importante apenas para o futuro da política brasileira. Neste ano, a América Latina encarará uma verdadeira “maratona eleitoral”, onde constituintes de outros cinco países da região também irão às urnas para eleger um novo presidente. Estes serão: Colômbia, Costa Rica, México, Paraguai e Venezuela.

A grande estreia da temporada será com a Costa Rica, no dia quatro de fevereiro, e a maratona deve durar até dezembro, com a última eleição na Venezuela. Porém, o futuro político venezuelano se mantém incerto, devido a contínua erosão de sua democracia. Ao analisar o continente como um todo, podemos observar algumas tendências que ultrapassam as fronteiras nacionais, como a incerteza, a fragmentação e a dispersão de candidatos.

No nosso Brasil, podemos dizer que a eleição de 2018 será a mais embaralhada desde 1989, pois as três maiores legendas políticas do país (PT, PMDB e PSDB) foram desacreditadas pela Operação Lava-Jato. Além disso, um levantamento exclusivo feito pelo jornal O Globo, aponta que 73% dos brasileiros dizem não concordar com a expressão “o Congresso Nacional está trabalhando pelos brasileiros acima de outros interesses”.

A pergunta que permanece na cabeça de todos os brasileiros é: “e agora, quem sobra”? Será que o Brasil seguirá a tendência de eleger um “outsider”, como nos EUA, ou talvez um candidato de um partido menor? Ou será que também seremos vítimas da guindada para a extrema direita, sentida tão fortemente na Europa? As dúvidas são muitas…

Colômbia

A incerteza fica longe de ser uma exclusividade brasileira. Na Colômbia, por exemplo, testemunharemos a primeira eleição desde que o acordo entre o Governo e a FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) foi firmado. Este foi um acordo histórico, pois representa um consenso que em tese acabaria com 50 anos de conflitos no país.

Entretanto, uma pesquisa realizada em setembro mostrou que 54% dos colombianos desaprovam a gestão do presidente Santos e 57% da população desaprova o acordo de paz com a FARC. Apesar de três candidatos virem se destacando no momento, existe uma grande amplitude no número de candidaturas, e posições sobre os principais assuntos em pauta, como o acordo de paz, a corrupção e as políticas econômicas. Até a FARC tem o seu próprio candidato, Rodrigo Londoño, médico e ex-líder guerrilheiro. Entre os 30 pré-candidatos à presidência, 25 se dizem independentes.

México

O México, outra grande potência regional, realizará a sua eleição no dia 1 de julho. Como na Colômbia, o desgaste político também causa uma grande dispersão no número de candidatos — 86 pessoas afirmam que irão disputar o cargo como independentes e outros 240, sem nenhuma filiação partidária, também querem se candidatar.

A segunda parte do mandato do atual presidente, Enrique Peña Nieto, foi manchada por escândalos de corrupção, que chegaram até o círculo mais próximo do presidente. A conturbada situação política e o discurso nada amistoso de Donald Trump podem beneficiar Andrés Manuel López Obrador, um veterano populista de esquerda, que disputou e perdeu as duas últimas eleições.

Contudo, partidos de centro-direita e centro-esquerda anseiam formar uma aliança. Se eles conseguirem emplacar um candidato forte, pode ser que López Obrador sofra a sua terceira derrota consecutiva.

O ponto principal é que tanto o México quanto a Colômbia apresentam realidades muito similares a do Brasil: uma grande insatisfação com o sistema político, o que pode fortalecer discursos populistas, tanto de direita quanto de esquerda.

 Venezuela

A Venezuela é outro caso que merece atenção especial. Entre os seis que terão eleições presidências em 2018, o país é o que se encontra na situação mais delicada. A Venezuela enfrenta uma grave crise humanitária, e o atual presidente, Nicolás Maduro, foi acusado pela comunidade internacional de ter estabelecido uma ditadura no país.

Maduro rebate as criticas ao dizer que o país continua uma democracia, pois ainda protagoniza eleições livres. Porém, recentemente, casos de fraude eleitoral geraram alarde internacional.

Muito provavelmente, Maduro concorrerá a presidência em dezembro. Porém, a questão que permanece é: existe a possibilidade de um candidato da oposição ter alguma chance de vitória? Líderes oposicionistas estão sendo perseguidos e desabilitados politicamente. Leopoldo Lopez, por exemplo, um dos nomes mais fortes da oposição se encontra em prisão domiciliar. O prognóstico é preocupante.

 Descrédito, Renovação e Fragmentação

Após o grande “boom” dos “commodities” dos anos 2000, a América Latina teve que se reajustar a uma nova realidade econômica, ao sentir a perda dos ganhos, após a queda dos preços de matérias-primas. Paralelamente, a corrupção endêmica da região veio à tona como um baque. O quadro atual levou a um total descrédito da política, não só no Brasil, mas em toda a região.

Apesar de tantas incertezas, a maratona eleitoral de 2018 pode renovar a política latino-americana. Existe uma tendência clara, que pode ser classificada como uma “busca por novos quadros políticos”. Esse espírito de novas “lideranças” e partidos independentes remete a Emmanuel Macron, que venceu a eleição francesa no ano passado com o seu movimento “En Marche”.

No caso brasileiro, mesmo que essa onda de renovação torne a vida dos candidatos da “velha-guarda” mais difícil, engana-se quem pensa que os novatos terão um caminho livre. Partidos menores, que teriam tudo para desafiar os representantes de uma política vista como desgastada, terão muito menos tempo de propaganda eleitoral na televisão, por exemplo, o que já de contrapartida os deixa em desvantagem.

Olhando para frente, a principal lição que devemos tirar dessa grande incerteza e abertura é a seguinte: não basta apenas criar movimentos de renovação se não há espaço para novas lideranças.

O que estamos vendo agora na América Latina, é uma grande dispersão de novatos, que buscam espaço, mas não conseguem chegar aos grandes cargos de liderança. Isso apenas fragmenta o sistema político, ao invés de renová-lo.

O que vai acontecer nessas tão importantes eleições de 2018? Renovação ou fragmentação?  Ainda não se sabe, precisamos aguardar os próximos capítulos…

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