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Desvendando as “midterms” de 2018: será a “onda rosa” um termômetro político para 2020?

No dia 6 de novembro, os Estados Unidos elegeram um número recorde de mulheres para o seu Congresso nacional. O resultado das “midterms” (eleições de meio de mandato) foi positivo para o partido Democrata, que recuperou o controle da Câmara dos Representantes. Em 2019, o presidente Donald Trump terá que lidar com um Congresso mais diverso e feminino do que nunca.

2018 ficou conhecido como o ano da “onda rosa”, devido ao número histórico de mulheres concorrendo nas eleições. Desde o dia 8 de novembro, 101 mulheres foram eleitas para a Câmara: 88 democratas e 13 republicanas. Esse número quebrou o recorde anterior de 85 mulheres eleitas em 2016. Atualmente, há 84 mulheres servindo no Congresso americano, dentre as quais 61 são democratas e 23 republicanas. Ao anteciparmos o que pode acontecer em 2020, o fenômeno, em grande parte impulsionado por mulheres democratas, pode representar uma ameaça significativa à agenda legislativa do presidente Trump, pois muitas destas mulheres defendem plataformas que se opõem diretamente a suas políticas.

Claudette Williams, candidata democrata pelo 176o Distrito na Câmara dos Representantes na Pensilvânia, disse que as eleições de meio mandato de 2018 são um termômetro político para 2020. Apesar de não ter sido eleita, Williams acredita que o número de mulheres candidatas aumentará ainda mais nas próximas eleições, devido a energia do momento. “Haverá mais mulheres concorrendo, e isso será muito importante,” disse ela. “Chegou a hora de parar de pensar que esse país só pode ser governado por velhos homens brancos.”

Christine Jacobs, Diretora Executiva do Representante PA, um PAC que financia candidatas progressistas para a Legislatura da Pensilvânia, disse que ter mais mulheres em cargos ajudará a trazer mais mulheres ao Congresso. PACs, ou Comitês de Ação Politica, são organizações que agregam fundos para financiar campanhas de candidatos ou apoiarem iniciativas ou projetos de lei.

“Eu me lembro de quando eu comecei a trabalhar no mundo dos negócios: você precisa agir como um homem para progredir, administrar como um homem, e não como uma mulher,” disse Jacobs. “As mulheres na política vêm se sentindo assim ao longo dos anos. Ter mais mulheres em cargos políticos irá empoderar outras.”

Jacobs disse que o trabalho não pode terminar em 2018. Começando em janeiro de 2019, seu PAC ambiciona fornecer apoio para que mais mulheres entrem na política. “É preciso mostrar às mulheres que outras mulheres encontraram o caminho para a vitória, e com isso temos que convencer mais mulheres a concorrer.”

Para muitas eleitoras de Murray Hill, em Nova Iorque, as eleições de meio de mandato de 2018 serviram como forma de manifestação contra o presidente e suas políticas. Tammy Dragich, uma jovem em seus vinte e poucos anos, votou pela primeira vez esse ano. Ela disse que essa eleição foi mais importante que as outras: “é a única maneira de reverter o que fizemos em 2016, quando colocamos Trump no cargo,” disse Dragich.

Dragich também disse que questões como imigração, direitos dos transexuais e a crescente supremacia branca no país são fatores que a levaram às urnas. “A ignorância está aumentando, e se tornando mais validada,” disse ela. “[Trump] sendo eleito deu às pessoas a luz verde para agir de forma ignorante.”

Mary F., que nunca deixou de participar em uma eleição, disse que votar foi um processo fácil e que as questões que mais importavam para ela eram saúde pública e os direitos das mulheres. “Está na hora de fazer uma declaração para as pessoas no Congresso, chegou a hora de dizer que não estamos satisfeitos,” disse Mary.

Mulheres não foram as únicas eleitoras a se manifestarem contra Trump. “O presidente é um mentiroso,” disse Leon Kramer, de 96 anos, após votar em uma urna em Murray Hill. “Ele também é um womanizer, que pagou enormes quantias de dinheiro para prostitutas, está se aproximando de ditadores e cortou nossos aliados.”

Kramer disse que deseja que os democratas consigam retomar o controle da Câmara dos Representantes para que eles tenham algo para combater o presidente e suas políticas. “A questão mais importante para mim é o meio ambiente, e ele (Trump) acredita que o aquecimento global é uma farsa,” disse Kramer. “Todos os cientistas concordam que o mundo está aquecendo.”

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