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Desvendando a China em 2018

A China está pavimentando o seu caminho para se tornar a maior potência mundial. Tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) como o Banco Mundial já classificam a China como a maior economia, em termos de paridade de poder de compra – uma alternativa para comparar as economias considerando os custos de vida. Não falta muito para a que a China também ultrapasse os EUA em outras medidas. De acordo com o Centre for Economics and Business Research (Cebr), isso já pode acontecer em 2029.

A saga chinesa para alcançar o domínio mundial vai além da esfera econômica. Por exemplo, em 2018, a China espera ultrapassar um marco na sua ambição de atingir “preeminência cultural”: se tornar o país com o maior número de locais listados como patrimônio mundial pela UNESCO. Até 2020, a China pretende competir diretamente com o GPS, o que acabaria com a sua dependência no sistema americano. Já no começo do ano que vem, o Beidou, como o sistema chinês está sendo chamado, promete funcionar sob uma rede de 30 satélites, chegando a 35 em 2020.

O crescimento notável da China tem chamado a atenção de muitos analistas. Alguns se preocupam que os chineses não se tornarão “jogadores globais”, uma vez que atingirem um status de domínio econômico. Essas preocupações vêm do fato de que a China ainda mantém um regime antidemocrático. Será que ela se integrará na ordem global, que é democrática e liberal, ou irá perturbá-la? Seu crescimento será construtivo ou disruptivo? O que 2018 trará para essa grande potência em construção?

Para entender a China, precisamos desvendar o contexto de seu sistema político, sua política externa e seus objetivos econômicos. Essas três esferas são na verdade interconectadas, através de uma grande entidade.

Política

A China é um Estado socialista de partido único, governado pelo Partido Comunista da China (PCC). No topo da pirâmide de liderança, estão os sete membros do Comitê Permanente do Politburo, selecionados por influência do presidente Xi Jinping. Quase tudo o que o presidente Xi tem feito, tanto na esfera política quanto econômica, tem aumentado o poder do PCC.

Xi vem conseguindo consolidar seu poder de forma que não é vista desde Mao Zedong, o pai do comunismo na China. Ele remodelou e obteve controle do partido, do exército e do aparelho de segurança do Estado. Na última Conferência do Partido Comunista, sediada em outubro, Xi foi elevado ao mesmo status que Mao e Deng Xiaoping (sucessor de Mao), ao ter seu nome incluído na constituição chinesa, assim perpetuando a sua liderança por tempo indefinido.

Em termos de política externa, o presidente Xi inicialmente apresentou um discurso de engajamento global. Porém, o orçamento de defesa da China aumentou bastante desde que ele iniciou o seu governo. Ele também estendeu a revendicação chinesa em territórios disputados, como as ilhas no mar leste e sul da China.

Economia

A economia chinesa é altamente decentralizada. Por isso, a trajetória para a implantação de reformas tem sido tão difícil. Apesar de manter um governo socialista, a economia é capitalista e controlada pelo mercado. Essa dicotomia faz da China um caso extremamente interessante.

Tradicionalmente, a economia era baseada em exportações e investimentos. Porém, agora a China tenta atrair diferentes fatores de crescimento, como consumo e serviços. Os chineses perceberam que estão chegando ao limite de seu modelo de crescimento e por isso, buscam novas alternativas.

Desde 2010, a economia chinesa sofre um desaceleramento significativo. Do começo de 2015 até o final deste ano, a média de crescimento ficou entre 6.7-7%, o que é uma queda em comparação ao crescimento de dois dígitos de antes de 2010.

Planejadores económicos chineses dizem há muito tempo que essa desaceleração é prevista, e que o modelo de crescimento pode ser comparado a figura da letra “L”: depois desta queda inicial, o crescimento se estabilizará ao longo de um plateau que durará anos. Entretanto, alguns especialistas se preocupam que essa expansão a 7% seja insustentável. O FMI por exemplo, prevê que o crescimento chinês cairá para 6.5% em 2018.

Apesar da recente desaceleração, a economia chinesa ainda está crescendo em quase três vezes a mais que os EUA, que apresenta uma taxa de crescimento de menos de 2,5%. Mesmo assim, a China ainda tem um longo caminho para alcançar os EUA. Por exemplo, a China está atrasada em termos de investimento direto estrangeiro e suas exportações de alta tecnologia são quatro vezes menores do que a dos EUA.

Mudanças Climáticas

Há pouco tempo atrás, muitos Chineses duvidavam que o aquecimento global era de fato um risco. Muitos ainda acreditavam que tudo não basta de um “conto da carochinha”, inventado pelos países ricos para conter o crescimento dos países em desenvolvimento, especialmente a China. Mesmo após um consenso cientifico no país, ainda se enfatizava a ideia de uma “responsabilidade comum, porém diferenciada” no combate às mudanças climáticas.

Hoje, essa realidade está mudando, o que é uma boa notícia para a comunidade internacional. Os chineses passaram da fase da ignorância, e já demandam ações governamentais para combater a poluição e as emissões de gases nocivos ao meio-ambiente. Além disso, o desenvolvimento econômico da China está chegando a um ponto onde a produção em fábricas está sendo trocada pelas indústrias de serviço.

Mesmo depois de Donald Trump dizer que estava tirando os EUA do acordo de Paris, a atitude da China não mudou. Entretanto, não podemos ser complacentes com somente uma mudança de atitude dos Chineses. A China precisa mudar a sua perspectiva no sentido de não só querer mitigar o aquecimento global, mas deve procurar se adaptar a essa realidade.

O Que Esperar?

Existem teorias no âmbito de relações internacionais que são extremamente pessimistas em relação ao crescimento de uma potência, em face a decadência de outra. Contudo, aqueles que aplicam essas teorias ao caso da China e dos EUA se esquecem que apesar da China ser governada por um partido comunista, ela se beneficia e muito da ordem democrática liberal.

Por exemplo, a China é um dos países com poder de veto na ONU, além de se beneficiar de instituições liberais como o FMI e da Organização Mundial do Comércio (OMC). Finalmente, a China é a segunda maior financiadora das operações de manutenção da paz da ONU.

Além disso, existem 350,0000 alunos chineses fazendo faculdade nos EUA e 300 milhões estão estudando inglês. A cada ano, 100 milhões de chineses saem do país para viajar como turistas. Esses números dizem algo sobre a abertura da sociedade chinesa em muito aspectos.

Em 2018, porém, devemos ficar atentos as reformas propostas pelo presidente Xi, que prometeu em outubro uma “modernização socialista” até 2025. Mas, pelo que temos visto, essas reformas provavelmente significam um maior controle do PCC sobre as empresas e uma supervisão maior da economia digital pelo Estado. Se isso será positivo para a economia chinesa, só o tempo dirá…

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