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Desvendando Davos: o Fórum Econômico Mundial

Todos os anos, as pessoas e organizações mais influentes da economia mundial se reúnem em Davos na Suíça, para trocar ideias, participar de seminários e ouvir palestras. Trata-se do Fórum Econômico Mundial, evento que começou ontem (23). Devido a popularização de discursos nacionalistas, o conceito de “mundo globalizado” encontra-se em risco. Por isso, uma conferência como a de Davos deve ser destacada.

Quem vai para Davos?

Tradicionalmente, o evento recebe algumas das figuras políticas mais poderosas do mundo como Emanuel Macron (presidente da França), Angela Merkel (chanceler da Alemanha), Theresa May (PM da Inglaterra) e Narendra Modi (PM da Índia). O presidente Michel Temer também participa do evento.

Entretanto, o Fórum Econômico Mundial passa longe de ser apenas um evento político. Muitos dos CEOs das maiores empresas do mundo também estarão presentes, como o Carlos Ghosn da Renault-Nissan-Mitsubishi e Sir Martin Sorell, do gigante aglomerado de comunicação WPP.

A edição deste ano contará com algumas novidades: a maior delegação chinesa da história do evento estará presente, um fórum será comandando apenas por mulheres, e pela primeira vez, um presidente americano irá ao evento.

Trump em Davos

A presença surpreendente de Trump sem dúvida promoverá uma dinâmica interessante, já que ele venceu a eleição americana com uma plataforma antiglobalista. O encontro anual, informalmente chamado de “Davos”, é conhecido por ser o maior motor da globalização dirigida pela elite.

Políticos e CEOs congregam nos Alpes para “quebrar barreiras” entre nações, afim de promover mais intercâmbio e criar uma comunidade global mais conectada. Em síntese, tudo o que o presidente americano rejeita.

Trump acaba de completar um ano no cargo, em meio a tensões referentes à paralização de seu governo. Ele deve continuar na sua linha de “América Primeiro”, afim de agradar a sua base política. Devido a paralização, a presença de Trump tinha se tornado incerta. Porém, como o Senado conseguir firmar um acordo para reabrir o governo, Trump viajará a Davos como planejado. O presidente americano deve falar na sexta-feira (26).

O que devemos esperar?

Engana-se quem pensa que a participação de Trump sinaliza uma mudança de posição ou abertura. Em um comunicado oficial em janeiro, Sarah Huckabee Sanders, a porta-voz da Casa Branca, disse que o presidente “saúda oportunidades para avançar a sua plataforma ‘América Primeiro’ entre outros líderes mundiais e que espera promover as suas estratégias para fortalecer empresas, indústrias e trabalhadores americanos”. Então, definitivamente podemos antecipar que Trump usará o fórum para defender o seu estilo de liderança em frente a um público bastante cético.

Discursos dos chefes de estado

No discurso de abertura, o primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, falou em defesa da globalização. Ele pediu que a comunidade internacional coopere economicamente e aja em conjunto para enfrentar o aquecimento global. Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, que busca reduzir os efeitos do aquecimento global ao cortar emissões de gases estufa.

Alguns dos delegados presentes no evento consideraram o discurso de Modi como um “cutucão” à agenda nacionalista de Trump. Modi não mencionou o nome de Trump, mas criticou o crescimento do protecionismo, central na doutrina do presidente americano.

Emmanuel Macron, presidente da França, foi na mesma linha. Ele disse hoje (24) que a “globalização está em crise”, ao fazer uma defesa da ordem econômica liberal. Macron convocou políticos, empresários e indivíduos a trabalhar pela proteção do meio ambiente, pela equidade de gênero no mercado de trabalho e contra o nacionalismo e o populismo.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, denunciou o fortalecimento da extrema-direita na Europa, chamando o fenômeno de “veneno”. Ela disse que políticas nacionalistas arriscam uma fratura nas relações entre países e que seu governo está fazendo o possível para controlar o crescimento dessa onda. Vale lembrar que o partido de extrema-direita alemão AfD (Alternativa anti-imigrante para a Alemanha) conquistou votos suficientes para ganhar espaço no parlamento, algo inédito desde a segunda guerra mundial.

Merkel também reiterou os pontos apresentados por outros chefes de estado ao dizer que “o protecionismo não é a resposta para os problemas do mundo”; outro ataque direto à política isolacionista de Trump. “Pensamos que nos desligar e nos isolar não nos levará a um futuro positivo. Países que reclamam de políticas injustas no comércio exterior devem buscar soluções multilaterais e não unilaterais” disse Merkel.

Finalmente, o primeiro ministro Canadense, Justin Trudeau, focou na questão da desigualdade salarial entre os gêneros e na questão do assédio sexual no local de trabalho. Entretanto, ele também cutucou a nova reforma fiscal do governo Trump. Trudeau tem enfrentado pressão doméstica das empresas canadenses para também reduzir impostos, visando maior competividade com os EUA.

“Muitas corporações colocaram a busca por lucro acima do bem-estar de seus trabalhadores. Porém, isso não continuará acontecendo. Estamos numa nova era de fazer negócios – precisa-se devolver à comunidade. Pessoas perdem seus empregos enquanto empresas evadem impostos, aumentado seus lucros de um lado e reduzindo benefícios para os trabalhadores do outro” disse Trudeau.

Inciativa da Fundação Gates beneficiará América Latina

Entretanto, Davos não se resume apenas a discursos políticos. Bill Gates, co-fundador da Microsoft e filantropo, anunciou no evento que sete países latino-americanos se beneficiarão de uma nova iniciativa antimalárica desenvolvida por Gates e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Espera-se que a Regional Malaria Elimination Initiative (Iniciativa Regional de Redução da Malária) doe mais de U$ 180 milhões para combater a doença em Belize, na Costa Rica, na República Dominicana, em El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e no Panamá.

A conferência termina nesta sexta-feira (26). Trump ainda não falou, pois fará o seu discurso no último dia. Em meio a tantos discursos que criticaram políticas nacionalistas e antiglobalização, só nos resta esperar para ouvir o que Trump tem a dizer. Uma coisa é certa, ele falará para um público bastante resistente…

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