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Desvendando a Epidemia de “Fake News”

Fake News”, ou notícias falsas, é um grande fenômeno da atualidade. É indiscutível que a revolução digital transformou a forma como consumimos e interagimos com a informação. Hoje, estamos sempre conectados e podemos facilmente acessar qualquer notícia com apenas um clique. Porém, precisamos discutir o grande ônus por trás dessa conveniência, especialmente com a chegada das nossas próximas eleições presidenciais.

O termo “Fake News” se popularizou com a eleição do atual Presidente Americano Donald Trump, que chama os tradicionais veículos de mídia de “falsos”, ou “desonestos”, por publicarem críticas ao seu governo que ele considera “injustas”. Porém, o termo foi emprestado para descrever algo muito maior do que as picuinhas do Trump. Ele abrange o grande problema da disseminação de informações completamente falsas ou erradas na grande rede.

Segundo dados do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai) da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12 milhões de pessoas repassam notícias falsas sobre política no Brasil. Sim, 12 milhões!

Isso reflete uma grande confiança da sociedade brasileira na informação espalhada através das redes sociais. Essa difusão de notícias falsas pode ir de algo bobo, como um boato sobre um novo casal de celebridades, a até algo muito mais sério, como uma mentira sobre um projeto de lei ou política pública.

Essa epidemia de desinformação é grave, e pode causar efeitos muito mais profundos do que se imagina. Por exemplo, 56% dos eleitores brasileiros afirmam que as redes sociais possuem algum grau de influência na escolha de seu candidato para as eleições de 2018, numa pesquisa recente para o IBOPE Inteligência. Esse número é igual para as mídias tradicionais, mostrando que os dois “mundos da comunicação” estão bastante nivelados em termos de influência. Além disso, as redes sociais já se sobressaem em relação às mídias tradicionais entre os jovens. A pesquisa aponta que entre os eleitores de 16 a 24 anos, as redes sociais têm 48% de “muita influência”, enquanto a mídia tradicional tem apenas 41%.

Esses dados não deixam dúvidas de que o que é compartilhado nas redes sociais tem o potencial de mudar uma eleição, já que muitos dos eleitores hoje leem as noticias através de plataformas digitais. Quase um ano depois, estamos começando a entender o efeito que notícias falsas tiveram sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Recentemente, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, anunciou que a sua empresa está ativamente trabalhando com o governo americano nas investigações sobre a intervenção russa nas eleições de 2016. Foi descoberto que os russos compraram anúncios no Facebook, além de contas falsas em redes sociais, para interferir no resultado das eleições.

Artigos mentirosos são gerados (com a intenção de serem espalhados) por vários motivos, seja para ganhar dinheiro com a venda de anúncios ou para influenciar opiniões e resultados eleitorais. Sem entrar no mérito das intenções por trás da intervenção russa, a verdade é que o “Fake News” virou uma indústria. Foi descoberto que adolescentes na Macedônia estavam por trás de contas falsas e ganhando dinheiro com isso. A lógica é simples: quanto mais acessos à uma página, mais dinheiro pode se ganhar com a venda de anúncios. Por isso, usam-se manchetes sensacionalistas e mentirosas, para chamar a atenção dos leitores e aumentar o número de acessos.

Essa indústria já chegou ao Brasil, e se não tomarmos cuidado, os sintomas do mal do “Fake News” podem também afetar as nossas eleições. Uma reportagem da Folha de São Paulo descobriu uma quadrilha em Poços de Caldas, Minas Gerais, que produz uma teia de conteúdo falso que ganhou proporções nacionais. A intenção deles é a mesma dos meninos da Macedônia, ganhar dinheiro com mentiras.

No meio de tanta informação, às vezes fica difícil saber o que é verdade ou mentira. Por isso, fiz uma lista para ajudar vocês a identificar um “Fake News”.

(1)  Olhe sempre o URL e o nome do site, sempre procure a fonte.

(2)  Dê uma olhada no “sobre nós” de uma publicação. Uma publicação séria vai ter uma biografia bem-feita, falando o seu propósito.

(3)  Ao ler uma matéria, repare na formatação e procure por erros de gramática evidentes.

(4)  Olhe a data da matéria. Muitos sites falsos reciclam histórias antigas, desvirtuando algo que aconteceu no passado.

(5)  Cuidado com sátiras! Muitos sites de Fake News repassam informações de sites sensacionalistas como verdadeiras.

(6)  Se pergunte: os grandes veículos de comunicação estão cobrindo essa matéria?

As matérias falsas estão aí, mas é nossa responsabilidade não espalhá-las!

 

 

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