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Desvendando Histórias Inspiradoras: Layana De Souza

Para que o Brasil comece a respirar de novo, é necessário que prestemos mais atenção no papel do jovem na sociedade. Um dos grandes objetivos do Desvendando Política é promover um intercâmbio de ideias sobre como o jovem pode tornar-se protagonista na busca para mudar o Brasil .Você sabia que nas eleições deste ano, 5 milhões de jovens brasileiros, entre 16 e 24 anos, irão às urnas votar?

Por isso, na contagem regressiva para as eleições, o Desvendando Política trará uma série de entrevistas com jovens que fazem a diferença. A entrevistada de hoje é Layana De Souza, jovem de 26 anos que nasceu e cresceu na Rocinha e hoje faz uma pós graduação na Universidade de Georgetown. Além disso, ela é bolsista da Fundação Estudar, um dos programas mais concorridos do país, com apenas 33 vagas para mais de 84 mil inscritos.

Layana falará sobre como vidas podem ser mudadas através do esporte e do seu “sonho grande” para o Brasil.

1)  Conte um pouco da sua história. Como o esporte transformou a sua vida?

Minha história começou dentro da comunidade da Rocinha, onde minha mãe e irmã mais nova moram até hoje. Eu sou filha de mãe solteira, nascida e criada em uma das maiores favelas do Brasil. Vivendo dentro da comunidade aprendi valores como a simplicidade e o valor de estar junto. Uma intimidade e diversidade que é difícil de encontrar. Hoje em dia as pessoas estão mais presas no seu próprio mundo e raramente pensam no próximo.

Diversão pra mim era encontrar os amigos na frente de casa pra brincar na rua. Muitas das vezes essas brincadeiras envolviam correr e bola, ou os dois quando se tratava de jogar futebol. Foi assim que eu cresci, com o esporte ocupando a minha mente em forma de brincadeira, e com dificuldades como os tiroteios, que ameaçavam a nossa segurança e me impediam de descer pra rua para brincar e estar com meus amigos.

Um dia resolvi começar a jogar basquete em um projeto na Rocinha chamado Fábrica do Futuro, que não durou muito tempo, mas foi o suficiente pra conhecer o professor e também morador da Rocinha, Leandro Sousa. Ele me levou para um projeto social chamado VemSer, localizado na Gávea, no Rio de Janeiro. Foi lá que as coisas começaram a mudar. Dentro do projeto eu fui aperfeiçoando a minha técnica no basquete, construindo o meu caráter e personalidade, ao mesmo tempo que eu expandia a minha visão de mundo.

Em cada treino, em cada jogo, eu fui aprendendo que precisava me dedicar e ter determinação para atingir o meu objetivo. Eu precisava ter disciplina e respeitar as regras. Eu era muito competitiva, mas eu não iria ganhar o jogo sozinha. Eu precisava das minhas companheiras de time. Esses foram apenas alguns dos valores que aprendi dentro do esporte.

E dentro do projeto encontrei uma segunda família. Consegui me destacar nos campeonatos estaduais de basquete do Rio de Janeiro, e isso chamou a atenção do técnico Guilherme Vos do colégio particular no Méier, ADN Master. Ele me ofereceu uma bolsa de estudos para representar o colégio em competições estudantis. Colégio meio longe de casa, mas era a oportunidade de sair de um colégio público para ter uma educação melhor. Aceitei.

No meu primeiro ano fomos campeãs dos jogos estudantis estaduais e viajamos para o Rio Grande do Sul para disputar o campeonato brasileiro. No decorrer da minha carreira esportiva, outras competições me levaram a outros estados do Brasil, mas uma ideia plantada pelo meu técnico de basquete da VemSer, Raphael Zaremba, me levou para fora do país. Aos 18 anos fiz a minha primeira viagem internacional, com passagens doadas pela American Airlines, para jogar e estudar em uma faculdade Americana. Os desafios eram que eu não falava inglês e não conhecia ninguém nos EUA.

Novamente, aceitei ir conhecer uma cultura nova, uma nova visão de mundo. O Raphael viajou comigo e ficou por lá durante uma semana até retornar para o Brasil. Os voluntários da VemSer financiaram as minhas despesas pessoais como shampoo, condicionador, sabonete e etc, nos meus dois primeiros anos de faculdade.

A adaptação não foi fácil, mas fiz valer a pena todo o esforço. Fui escolhida como capitã do time de basquete, e após concluir os meus estudos, me tornei a primeira pessoa da minha família a se formar em uma faculdade. Após formada, voltei para o Brasil e tive a honra de trabalhar nas Olimpíadas do Rio de Janeiro como coordenadora de Informação Esportiva do Basquete. Hoje estou em Georgetown University, uma das melhores faculdades do mundo, em busca do meu mestrado em Sports Industry Management.

(2)  Como você se envolveu com a Fundação Estudar? Como funciona o programa Líderes?

Eu me envolvi com a Fundação Estudar por acaso. Eu havia sido aceita para cursar o mestrado em Georgetown, mas não tinha condições financeiras para pagar. Um belo dia, ao sair do trabalho a noite durante as Olimpíadas, eu estava caminhando para o ponto de ônibus e um rapaz se aproximou para pedir informações. O destino dele era o mesmo que o meu, por isso disse que ele poderia me acompanhar.

Eram uns quinze minutos de caminhada e entre algumas perguntas em que ele me fez, respondi que depois dos jogos eu gostaria de cursar o mestrado, que tinha sido aceita para Georgetown, porém não tinha condições para pagar. Ele perguntou se eu conhecia a Fundação Estudar, me explicou o que era, e disse que tinha um amigo que trabalhava lá.

Ao chegar em casa, entrei no site da Fundação, e as inscrições para o programa de bolsas de 2016 já estavam fechadas. Entrei em contato com a faculdade, adiei a minha entrada pro ano seguinte, e quando o processo de seleção para o Programa Líderes 2017 abriu, eu me inscrevi.

Em junho de 2017, recebi a maravilhosa notícia que eu havia sido selecionada para ser um Líder Estudar, e em Agosto me mudei para Washington, DC, nos EUA, para cursar meu mestrado.

O programa oferece apoio financeiro para brasileiros cursarem as melhores faculdades do mundo, mentoria para o desenvolvimento pessoal e profissional do líder, e a oportunidade de fazer parte de uma comunidade repleta de gente boa, com sonhos grandes e a vontade de transformar o Brasil.

(3)  Como foi a experiência de estudar nos Estados Unidos? Você pretende voltar? Por quê?

A experiência foi, e está sendo maravilhosa. Tudo que estou vivendo, a educação que estou recebendo, implica diretamente no meu discernimento sobre as coisas que quero e principalmente de como posso atingir. O aprendizado sem dúvidas está agregando para o meu crescimento. Eu pretendo voltar sim, não sei se logo após formada, mas vejo minha estadia nos EUA como uma preparação, e gostaria de aplicar o meu conhecimento no Brasil.

(4)  Uma das missões do projeto é a ideia de “sonho grande”. Qual é o seu sonho grande para o Brasil?

Meu sonho grande para o Brasil, é um país de mais respeito e solidariedade. Onde as pessoas saiam do seu próprio mundo para jogar junto. Que as pessoas trabalhem em equipe, elevando umas às outras em vez de derrubar. Que nossos líderes tenham um propósito de melhoria para o país e principalmente a sociedade, e que sigam com disciplina, determinação e dedicação as ideias propostas.

A minha participação para atingir esse sonho grande será dentro do esporte. Pode parecer cliché, mas o meu sonho grande é usar o esporte como ferramenta para transformar a vida das pessoas e criar oportunidades para jovens aprenderem os valores que o esporte tem para oferecer. Assim como aconteceu comigo, e como consequentemente a vida da minha família também será transformada.

(5)  O Brasil agora passa por um momento conturbado que pode se tornar um momento de transformação. Qual você acha que deve ser o papel do jovem?

O papel do jovem deve ser de protagonista. Está na hora de propor caminhos, de se fazer ser ouvido, de assumir responsabilidades. O momento é conturbado, mas são nas adversidades que aparecem as oportunidades.

Layana hoje faz mestrado na Universidade de Georgetown

Layana e o time de bolsistas da Líder Estudar de 2017

“Pode parecer cliché, mas o meu sonho grande é usar o esporte como ferramenta para transformar a vida das pessoas e criar oportunidades para jovens aprenderem os valores que o esporte tem para oferecer”

 

E você? Qual você acha que deve ser o papel do jovem na sociedade? Deixe o seu comentário e a sua curtida aqui abaixo. Queremos ouvir de você! 

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