Loading...

Desvendando: O Ataque no Egito e o Estado Islâmico

Na última sexta-feira, dia 24 de novembro, militantes detonaram uma bomba dentro de uma mesquita no Egito, matando 305 pessoas e ferindo pelo menos outras 128. Além da explosão, atiradores invadiram a mesquita, disparando nos fiéis. Esse ataque foi considerado o mais mortal da história moderna do Egito. Apesar de nenhum grupo ter assumido a autoria ainda, especula-se que ele tenha sido cometido pelo Estado Islâmico. Supostamente, os perpetradores carregavam bandeiras da organização terrorista.

O Egito é um país predominantemente muçulmano. De acordo com estimativas oficiais, 90% da população do Egito prática o Islã. Agora, muitos se perguntam: por que o Estado Islâmico atacaria outros muçulmanos? Parece estranho que um grupo que prega uma interpretação extremista e intolerante do Islã assassine praticantes da mesma fé. A resposta é que as coisas não são tão simples assim.

Nesse artigo, proponho desvendar as possíveis motivações por trás do ataque e analisar um pouco sobre como o Estado Islâmico funciona e recruta seus soldados.

Ramos diferentes do Islã

Primeiro é preciso entender que nem todos os muçulmanos são iguais. Dentro do Islã, existem diversas variações, o que muitas vezes causa conflito entre grupos. A grande maioria (cerca de 85%) dos muçulmanos são sunitas. “Sunni” significa tradição e os praticantes desse ramo se veem como aqueles que seguem as tradições do profeta Muhammad. O Estado Islâmico é um grupo terrorista que faz uma interpretação extrema do ramo sunita e acredita representar os únicos verdadeiros fiéis.

O ataque na mesquita egípcia, na Província de Sinai, foi direcionado aos muçulmanos sufistas. Como o Estado Islâmico se intitula como a única verdadeira autoridade religiosa, aqueles que praticam o Islã de forma diferente acabam se tornando um alvo. Os sufistas são considerados islamistas místicos, pois eles vão além da doutrina religiosa para buscar um relacionamento pessoal com Deus, através da meditação e do crescimento espiritual. O Estado Islâmico acusa os sufistas de serem politeístas (acreditarem em mais de um deus), o que eles consideram heresia. Assim, o grupo terrorista usa essa justificativa para matar sufistas e destruir os seus santuários.

Quem é o Estado Islâmico e o que eles querem?

O ataque no Egito foi extremamente brutal. O Estado Islâmico é conhecido por suas táticas violentas, incluindo decapitações, crucificações e assassinatos em massa. O grupo terrorista começou em 2004 como um braço da Al Qaeda no Iraque, mas os dois grupos se desentenderam e se separaram em 2014. Tanto o Estado Islâmico quanto a Al Qaeda tinham ambições territoriais e queriam estabelecer um estado islâmico independente na região. Porém, o Estado Islâmico provou ser muito mais brutal e eficaz no controle do território apreendido.

O Estado Islâmico se espalhou rapidamente, conquistando um território vasto nos dois lados da fronteira entre a Síria e o Iraque. O seu território contém campos de petróleo, o que financia muitas das operações da organização terrorista. Hoje, o Estado Islâmico é um dos maiores, mais bem-sucedidos e mais violentos grupos operando na Síria e no Iraque. Eles executam prisioneiros de guerra de forma brutal e pública, escravizam minorias e violam mulheres e meninas. Em 2015, a ONU estimou o que os terroristas estavam prendendo 3500 pessoas como escravos.

Uso de propaganda e redes sociais

Relatórios de inteligência da CIA em 2014 estimavam que entre 20,000 e 31,500 militantes do Estado Islâmico estavam atuando na Síria e no Iraque. Como que o Estado Islâmico, uma organização terrorista tão brutal, consegue recrutar tanta gente?

A verdade é que hoje o Estado Islâmico tornou-se também uma poderosa máquina de mídia e propaganda. A organização terrorista percebeu o poder da “nova mídia” e tem usado a grande rede para disseminar o seu conteúdo de forma rápida e impactante. De acordo com um relatório feito pela Fundação Quilliam, o Estado Islâmico publica na internet, em média, 38 mídias por dia, o que inclui vídeos, documentários, fotos, gravações de áudio e panfletos, em diversas línguas. A Fundação Quilliam é uma organização que se dedica a promover o pluralismo e a combater o extremismo.

O grande diferencial do Estado Islâmico, quando comparado à Al Qaeda por exemplo, é o seu uso de mídia de qualidade. Por exemplo, um cinegrafista que trabalha para o Estado Islâmico recebe sete vezes mais que um soldado. Além disso, diferente da Al Qaeda, o Estado Islâmico foca a sua propaganda no militante comum, tornando a mensagem mais próxima do seu “público alvo”. Al Qaeda preferia exaltar os seus líderes em sua propaganda. Com a internet e as redes sociais, o Estado Islâmico conseguiu atingir um público global, o que contribuiu muito para o seu recrutamento.

Existem alguns temas centrais que são usados nas propagandas divulgadas pelo Estado Islâmico. O primeiro é que o Islã está sendo atacado, promovendo uma verdadeira guerra ideológica, fomentada por ódio. Segundo, eles usam a ultraviolência, através de imagens gráficas e brutais, para vender uma ideia de “olha como você será poderoso se juntar-se a nós”. Por último, mas não menos importante, o Estado Islâmico vende um estilo de vida luxuoso e uma ideia de “transformação individual”. A narrativa é de um estilo de vida utópico, o que é extremamente atraente para muitos jovens que vivem na completa miséria e sem nenhuma perspectiva para o futuro.

O ataque no Egito pede muita reflexão. Apesar de ser impossível ter certeza das verdadeiras intenções de quem está por trás dessa brutalidade, muito já se sabe para formular uma boa ideia. Uma coisa é certa: o atentado mostra que o Estado Islâmico está disposto a atacar todos aqueles que eles consideram estar no caminho de seus objetivos – incluindo outros muçulmanos.

VOCÊ TAMBÉM PODE CURTIR OS SEGUINTES POSTS

Sem nenhum comentário

Deixe um Comentário