Loading...

Desvendando: O Governo Trump e a Investigação à Interferência Russa

Nessa última sexta-feira, no dia 1 de dezembro, o ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, Michael Flynn, foi acusado de ter mentido para o FBI. Essa é a maior acusação da investigação à interferência russa, conduzida pelo procurador especial Robert Mueller. Flynn confessou ter feito falsas declarações sobre o seu contato com o Embaixador russo Sergey Kislyak, durante o período de transição entre os governos Obama e Trump.

Esse desdobramento é importante para a investigação, porque apesar de três ex-membros da equipe de campanha de Trump já terem sido indiciados, Flynn é o primeiro que de fato serviu no governo Trump a ser acusado de um crime.

Mas afinal, o que é essa investigação sobre a Rússia? Quem de fato está sendo investigado? Constantemente somos bombardeados com tantas atualizações sobre a investigação, que fica difícil entender o que está acontecendo. Por isso, neste artigo, proponho desvendar as raízes dessa investigação, sua cronologia e suas possíveis consequências.

Quem é Robert Mueller e o que ele investiga?

No dia 17 de maio deste ano, Robert Mueller foi apontado como procurador especial, pelo ex-procurador geral interno, Rod Rosenstein, para investigar uma possível conexão entre a campanha eleitoral de Trump e a intervenção russa nas eleições presidenciais de 2016.

Um “procurador especial” é um advogado independente do governo que é apontado para investigar possíveis irregularidades ou transgressões cometidas por altas autoridades dentro do governo.

É importante que esse tipo de investigação seja conduzida por alguém de fora porque de outro modo, advogados do governo seriam os encarregados de investigar seus próprios superiores, o que geraria um conflito de interesse.

Mueller já foi diretor do FBI durante o governo de George W Bush e serviu nessa posição por 12 anos, inclusive por grande parte do governo de Barack Obama. Após o anúncio da nomeação de Mueller, Trump mostrou-se insatisfeito ao ‘twittar”: “essa é a maior caça às bruxas na história política americana”.

Interferência russa nas eleições de 2016

A Rússia é acusada pelos EUA de ter conduzido uma campanha de “desinformação” durante as eleições presidenciais de 2016. Um consenso entre organizações de inteligência aponta que os russos conseguiram influenciar as eleições através da disseminação de “fake news”, a compra de “ads”(propaganda) no Facebook e o uso de “bots” (aplicativos de software automatizados) para a favorecer a campanha de Trump. Eles também usaram as redes sociais para fomentar discussões e desacordos sobre questões polarizadoras, como a imigração por exemplo.

Pessoas chave na investigação

Robert Mueller – procurador especial encarregado da investigação
Jared Kushner – genro de Donald Trump e atual conselheiro da Casa Branca
Sergey Kislyak – embaixador russo
Michael Flynn – ex conselheiro de segurança nacional, confessou ter mentido ao FBI
James Comey – ex diretor do FBI, demitido por Donald Trump
Jeff Sessions – procurador geral da república
Paul Manafort – chefe de campanha de Trump, indiciado
George Papadopoulos – voluntário de campanha de Trump, confessou ter mentido ao FBI
Rick Gates – funcionário de campanha de Trump, indiciado

Sequência de Eventos

Essa história toda começou muito antes de Mueller ter sido apontado, em maio deste ano.
No dia 22 de julho de 2016, cerca de 20 mil e-mails do Comitê Democrata Nacional (DNC) foram vazados. O conteúdo desses e-mails sugeria que a liderança do Partido Democrata teria trabalhado para privilegiar Hillary Clinton nas campanhas primárias, em detrimento do outro candidato, Bernie Sanders. O FBI anunciou que investigaria o vazamento.

No início de dezembro de 2016, já após a vitória de Trump, Jared Kushner, genro e atual conselheiro da Casa Branca, se encontrou com o Embaixador Kislyak na Trump Tower para discutir um canal seguro de comunicação entre a Rússia e o time de transição. Michael Flynn esteve presente nesta reunião.

No dia 9 de dezembro, a CIA concluiu que o vazamento de e-mails dos democratas foi resultado de uma ação russa. Semanas depois, no dia 28, Obama assinou uma ordem executiva que autorizava sanções contra a Rússia, devido à sua interferência nas eleições de 2016. Flynn relatou em sua confissão que esteve em contato com o embaixador russo sobre as sanções. Na época, o Presidente da Rússia Vladmir Putin decidiu não retaliar.

No dia 20 de janeiro de 2017, Trump tomou posse como presidente. Uma semana depois (27), como foi noticiado pelo New York Times, Trump teria pedido que o então diretor do FBI, James Comey, “jurasse fidelidade” durante um jantar privado na Casa Branca. Comey declinou. No mesmo dia, George Papadopoulos, um conselheiro voluntário da campanha de Trump, mentiu para o FBI sobre os seus contatos com pessoas conectadas ao governo russo.

No dia 13 de fevereiro, Flynn pediu demissão após relatos na imprensa de que ele teria mal direcionado o Vice-Presidente Mike Pence e outros oficiais de alto-escalão da Casa Branca. Ele não teria sido completamente honesto sobre o seu contato com Kislyak. No dia seguinte, Trump supostamente pediu a Comey que abandonasse a investigação sobre Flynn. Trump nega ter feito esse pedido.

Um pouco menos de um mês depois, no dia 2 de março, o procurador geral Jeff Sessions decidiu se abster de qualquer investigação que envolvesse a interferência russa na eleição. Sessions anunciou a sua abstenção após relatos revelaram que ele esteve em contato com Kislyak em 2016. Antes de ser nomeado procurador geral, Sessions trabalhou como conselheiro na campanha de Trump. No dia 9 de maio, Trump demitiu Comey do seu cargo de diretor do FBI.

A situação esquentou ainda mais durante o verão americano. No dia 8 de julho, relatos na imprensa começaram a circular, dizendo que Kushner, Paul Manafort (diretor da campanha de Trump) e Donald Trump Jr. se reuniram com russos conectados ao Kremlin em junho.

No dia 5 de outubro, George Papadopoulos confessou ter mentido ao FBI. Ele disse que mentiu sobre os seus contatos com russos, que supostamente teriam informações comprometedoras sobre Hillary Clinton. Paul Manafort e Rick Gates (outro funcionário de campanha) também foram indiciados. Outubro foi um mês agitado, pois além dos indiciamentos, Mueller intimou a campanha de Trump a entregar qualquer documento relevante a contatos feitos com os russos.

Essa investigação é perigosa para o governo Trump?

Se for comprovado que Trump cometeu um crime, a investigação pode muito bem levar ao fim de sua presidência. Entretanto, o objetivo da investigação não é comprometer ou investigar o próprio Donald Trump. Mueller está encarregado de descobrir quaisquer evidências de crimes relacionados ao envolvimento da campanha de Trump com a Rússia, e assim indiciar quem for responsável por esses crimes.

Agora, e se Mueller descobrir que o próprio Donald Trump cometeu um crime? Mueller tem a autoridade de indiciar qualquer membro da família de Trump ou associados. Porém, não é claro se ele pode legalmente indiciar o próprio presidente. Jamais nenhum presidente americano foi indiciado num inquérito criminal, então não há nenhum precedente na Suprema Corte que funcione como base.

A investigação continua se desdobrando e regularmente somos surpreendidos com novas revelações. Apesar de toda a fumaça cercando a campanha de Trump, essa investigação traz à tona uma preocupação ainda maior, ela coloca em evidência que a democracia da maior potencia mundial esteve vulnerável à interferência de um país estrangeiro. Agora só nos resta aguardar próximos capítulos.

VOCÊ TAMBÉM PODE CURTIR OS SEGUINTES POSTS

Sem nenhum comentário

Deixe um Comentário