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Desvendando: O Varejo e o “Natal da Retomada”

Por Maria Antonia Sendas (Colaboradora)

Pela primeira vez em anos, após um período de crise, varejistas esperam que a recuperação do comércio brasileiro seja refletida nas compras natalinas. Segundo o IBGE, o período que foi apelidado de “Natal da Retomada” promete movimentar cerca de R$34,3 bilhões em vendas, um crescimento de 4,3% em comparação ao ano passado. O mercado de trabalho gerou quase R$200 bilhões em salários no terceiro trimestre do ano, injetando R$7 bilhões a mais na economia. Essa circulação positiva aquece a economia e favorece o consumo.

Para discutir o “Natal da Retomada”, o Desvendando Política conversou com Nelson Sendas, investidor com negócios nos setores de café, logística e varejo na Sendas SA. Sendas nos proporciona uma visão aprofundada das dinâmicas do varejo brasileiro e analisa as expectativas do comércio nacional para as compras de final de ano.

Dada sua experiência em varejo alimentar, qual sua expectativa em relação às festas de fim do ano de 2017?

No Natal, existe uma composição de venda de produtos nacionais e importados no varejo alimentar. A expectativa é de aumento no consumo de produtos nacionais devido à uma queda de preços dos insumos e dos produtos acabados. Os produtos importados continuam mais caros, por conta do valor alto do dólar frente ao real, que se manteve nos mesmos patamares desde 2016.  A tendência é que haja estabilização dos preços de produtos importados. Porém, como homem de varejo, penso que as empresas deveriam investir mais em produtos nacionais, já que o menor poder de compra do consumidor dificulta a aquisição de produtos importados, em frente à crise econômica. Haverá, de fato, uma retomada, mas o consumidor ainda está cauteloso.

É a primeira vez desde 2009 que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê deflação no varejo para o período do Natal. Quais seriam as causas desta queda?

Depois de um período de baixa demanda e fraco consumo, a indústria e o comércio querem aproveitar a baixa dos juros para reaquecer a economia através das vendas. A política governamental da baixa de juros desencoraja o consumidor a deixar seu dinheiro nos bancos, estimulando o consumo, e, consequentemente, a produção industrial. A indústria também tem implementado esforços promocionais para alavancar as vendas através de descontos e promoções, pois preços baixos aumentam a circulação de mercadorias.

Ao discutir a dinâmica entre produtos nacionais versus os importados, na sua opinião, os importados terão a mesma performance em relação ao ano passado?

Devido à manutenção de preços, o varejo sempre procura formas criativas de aumentar suas vendas. Acredito que o mesmo tentará buscar novidades no mercado mundial que possam ajudar a criar excitação para o consumidor, e também procurará por produtos importados com preço de origem mais barata.

Como você vê o impacto do e-commerce no varejo geral? E como é diferente para o varejo alimentar?

A tendência é que o e-commerce aumente suas vendas na maioria dos segmentos, seguindo um padrão mundial de consumo. No varejo alimentar, contudo, existe uma peculiaridade que serve como barreira para o e-commerce: a perecibilidade dos produtos que compõem o varejo alimentar. O e-commerce nunca se desenvolveu de maneira proporcional aos outros setores no setor alimentar justamente pelas dificuldades encontradas no manuseio e logística de produtos em que o frescor é parte essencial da compra. Entregar uma caixa de sabão em pó é diferente de entregar um lote de frutas frescas. A concentração do e-commerce é em produtos industrializados e não-perecíveis, e por isso sua coordenação e logística fora do setor alimentar é bem mais efetiva.

Quais suas expectativas e previsões para o varejo em 2018?

Continuo acreditando na melhora da economia que, com a baixa dos juros, o aumento do consumo e o aumento de emprego, gerará um 2018 mais próspero. Com isso, as indústrias e o comércio contratarão mais e haverá mais dinheiro circulando no mercado. Assim, entraremos num ciclo virtuoso. Naturalmente, com a melhora da economia, as empresas varejistas tenderão a investir mais tanto nos pontos de venda quando no estoque de seus produtos. Tanto  empresário como o consumidor se animam com esse cenário; o empresário a produzir mais e o consumidor a gastar mais.

 

Nelson Sendas é formado em Administração, pós-graduado em Marketing com especialização em gestão na Escola Administrativa INSEAD na França. Hoje, é investidor com negócios variáveis em café, imóveis, logística e varejo da Sendas SA.

 

Maria Antonia Sendas

Maria Antonia Sendas, autora deste post, é colaboradora do Desvendando Política desde novembro de 2017.  Desde que começou a participar das conferências de Model United Nations, das quais já participou de quase 30 em diversos países, se apaixonou pelas dinâmicas de Política e Relações Internacionais, áreas para as quais deseja direcionar sua vida acadêmica e carreira profissional. Um dos seus maiores objetivos  é ajudar a politizar os jovens e, assim, mostrar que existe a possibilidade de criar um futuro melhor para o Brasil através do conhecimento e entendimento político.

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